segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

CONSEGUEM CAPTAR A SUTILEZA DO OLHAR?






Era segunda feira...

Sentada, tendo como único ruído um ventilador de coluna, que girava refrescando aquele ambiente... O rosto ainda amarrotado da deliciosa noite de sono não demonstrava cansaço, pelo contrário... Apenas me levantei com uma energia ainda contida, afinal era bem cedo... Amanhecia e os primeiros raios de sol entravam pela fresta da janela entreaberta. Já no trabalho, sozinha, observava tudo que estivesse ali ao alcance do olhar. Um olhar calmo, atencioso, leve, silencioso e com a mesma sutileza daquela folha que se desprendeu de uma árvore do jardim em frente da mesa de trabalho. Foi então que num momento de descuido percebi a importância daquele olhar...

O ato de olhar, puro e simplesmente, significa a observação visual que é feita de alguma coisa. Por exemplo, quando uma pessoa olha as fotografias do final de semana de seu colega de trabalho ela naturalmente verá os detalhes. Naquele registro está a piscina, os amigos fazendo uma selfie, o pavão, a casa ao fundo, o outro amigo que preparava o churrasco, etc. Um momento especial, mas que aos olhos daquele que não presenciou o momento curtido por aquele grupo de amigos é apenas mais um registro.

Mas vamos um pouco mais além...

“O olhar” traz em si muito mais significado do que aquilo que está ali diante dos meus ou dos seus olhos. O olhar pode vir com uma bagagem de emoção, sentimentos, descobertas, vivência, experiências, afetividade, sensações, indiferença; em doses menores ou maiores. E não é somente o nosso olhar diante das coisas, momentos e episódios tão marcante que tem a capacidade de instigar, envolver e transformar... Também o olhar do outro e a sensibilidade ali intrínseca seduz genuinamente como poucas coisas que já percebi...

Para aquela pessoa que viu a fotografia que citei nas linhas anteriores poderia ser uma foto divertida... ou não. Para cada individuo daquele grupo de amigos as impressões acerca daquela fotografia serão diferentes. O sentimento e as emoções daquele final de semana estão no olhar de cada um... Uns com um olhar indiferente, para outros mais nostálgicos serão lembranças deliciosas!

A Banda Ira esteve em Belo horizonte no final do ano passado. Naquele show, para os fãs e admiradores da banda aquele momento teria talvez o olhar de curtição, adrenalina. Para um casal que há poucos dias se conheceu num site de relacionamentos aquele seria o local exato sugerido para o primeiro encontro. Talvez, possivelmente, seja início de uma linda história de amor.  E não se deve julgar. É muita pretensão nossa julgar, por exemplo, o olhar de um fotógrafo que observa a Via láctea no instante no qual a atmosfera conspirava para aquele momento único. Um único clique que culminou num registro incrível. Para alguém com um pouco menos de sensibilidade seria algo indiferente.

Percepções e sensações são algo muito particular. Alguns exemplos como:  O olhar terno e intenso de uma pessoa revendo o álbum de casamento e deixando vir à tona lembranças e emoções do registro daquele dia inesquecível ou mesmo o olhar ansioso e cheio de amor da futura mamãe esperando pela chegada do primeiro filho. O olhar puro e meigo de uma criança, o olhar de um passageiro sentado e que de longe, a espera de seu voo, avistava o beijo apaixonado de um casal  que aparentemente se despedia próximo ao embarque e também há o olhar triste, daquele que se esforçou tanto e dedicou horas exaustivas de estudos ao perceber, diante da lista de aprovados do vestibular, que seu nome não estava lá.... 

Enfim, não caberá nem a mim, nem a você avaliar a qualidade e intensidade das reações que virão a partir do olhar. Vai muito além do que se possa ver, ouvir e falar...

Conseguem captar a sutileza do olhar? E como é maravilhoso perceber suas mais variadas faces!

Foto: Line Aoli

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