Era segunda feira...
Sentada, tendo como único ruído um ventilador de coluna, que
girava refrescando aquele ambiente... O rosto ainda amarrotado da deliciosa
noite de sono não demonstrava cansaço, pelo contrário... Apenas me levantei com
uma energia ainda contida, afinal era bem cedo... Amanhecia e os primeiros
raios de sol entravam pela fresta da janela entreaberta. Já no trabalho,
sozinha, observava tudo que estivesse ali ao alcance do olhar. Um olhar calmo,
atencioso, leve, silencioso e com a mesma sutileza daquela folha que se
desprendeu de uma árvore do jardim em frente da mesa de trabalho. Foi então que
num momento de descuido percebi a importância daquele olhar...
O ato de olhar, puro e simplesmente, significa a observação
visual que é feita de alguma coisa. Por exemplo, quando uma pessoa olha as
fotografias do final de semana de seu colega de trabalho ela naturalmente verá
os detalhes. Naquele registro está a piscina, os amigos fazendo uma selfie, o pavão, a casa ao fundo, o outro
amigo que preparava o churrasco, etc. Um momento especial, mas que aos olhos
daquele que não presenciou o momento curtido por aquele grupo de amigos é
apenas mais um registro.
Mas vamos um pouco mais além...
“O olhar” traz em si muito mais significado do que aquilo
que está ali diante dos meus ou dos seus olhos. O olhar pode vir com uma
bagagem de emoção, sentimentos, descobertas, vivência, experiências, afetividade, sensações,
indiferença; em doses menores ou maiores. E não é somente o nosso olhar diante
das coisas, momentos e episódios tão marcante que tem a capacidade de instigar,
envolver e transformar... Também o olhar do outro e a sensibilidade ali
intrínseca seduz genuinamente como poucas coisas que já percebi...
Para aquela pessoa que viu a fotografia que citei nas linhas
anteriores poderia ser uma foto divertida... ou não. Para cada individuo
daquele grupo de amigos as impressões acerca daquela fotografia serão
diferentes. O sentimento e as emoções daquele final de semana estão no olhar de
cada um... Uns com um olhar indiferente, para outros mais nostálgicos serão
lembranças deliciosas!
A Banda Ira esteve em Belo horizonte no final do ano
passado. Naquele show, para os fãs e admiradores da banda aquele momento teria
talvez o olhar de curtição, adrenalina. Para um casal que há poucos dias se
conheceu num site de relacionamentos aquele seria o local exato sugerido para o
primeiro encontro. Talvez, possivelmente, seja início de uma linda história
de amor. E não se deve julgar. É muita
pretensão nossa julgar, por exemplo, o olhar de um fotógrafo que observa a Via
láctea no instante no qual a atmosfera conspirava para aquele momento único. Um
único clique que culminou num registro incrível. Para alguém com um pouco menos
de sensibilidade seria algo indiferente.
Percepções e sensações são algo muito particular. Alguns exemplos como: O olhar terno e intenso de uma pessoa revendo o álbum de casamento e
deixando vir à tona lembranças e emoções do registro daquele dia inesquecível ou mesmo o olhar ansioso e cheio de amor da futura mamãe esperando pela chegada do primeiro filho. O olhar puro e meigo de uma criança, o olhar de um passageiro
sentado e que de longe, a espera de seu voo, avistava o beijo apaixonado de um
casal que aparentemente se despedia próximo ao embarque e também há o olhar triste, daquele que se esforçou tanto e dedicou horas exaustivas de estudos ao perceber, diante da lista de aprovados do vestibular, que seu nome não estava lá....
Enfim, não caberá nem a mim, nem a você avaliar a qualidade e intensidade das reações que virão a partir do olhar. Vai muito além
do que se possa ver, ouvir e falar...
Conseguem captar a sutileza do olhar? E como é maravilhoso
perceber suas mais variadas faces!
Foto: Line Aoli

