Estava
procurando informações mais consistentes acerca do próximo assunto a ser
publicado no blog. Queria muito falar sobre Parkinson. Não sei se pela vivência
e proximidade com o tema, mas falar sobre algo que é realidade no nosso dia a
dia fica muito mais fácil.
A história que se segue emocionou a mim e toda a minha família. E mais uma vez, mesmo sem acreditar em destino, algo maior e que foge de qualquer explicação conspirou para o desfecho de uma história linda que você acompanha nas próximas linhas...
A história que se segue emocionou a mim e toda a minha família. E mais uma vez, mesmo sem acreditar em destino, algo maior e que foge de qualquer explicação conspirou para o desfecho de uma história linda que você acompanha nas próximas linhas...
Tema
definido e os dedinhos nervosos começaram a procurar no Google sobre Doença de Parkinson.
Nada que fosse muito técnico. Não que eu não tivesse um conhecimento grande
sobre o assunto, mas nesse caso não dava para errar. Digitei somente a palavra
Parkinson e apareceu uma infinidade de sites, mas uma noticia em destaque do
Diário Catarinense, escrita pela jornalista Laine Valgas me chamou atenção.
Não sei que explicação existe pra isso, mas eu havia acessado outros
sites, me sentia satisfeita com as pesquisas feitas por mim e achei que seria o
suficiente para o que eu queria. Era inclusive um dos últimos links da página,
mas eu resolvi abrir e ler:
"Laine Valgas:
desabafo de quem tem Parkinson e depende do SUS"
No
texto, a Laine cita o desabafo de um senhor de 76 anos que depende de um medicamento
específico para controlar os sintomas da doença, mas desde outubro o governo do
Estado de Santa Catariana tem atrasado a entrega. Senti um arrepio tomar conta do meu corpo
naquele instante... Meu pai tem diagnostico de Parkinson a mais de 14 anos e
ano passado, por orientação médica, ele iniciou a administração do mesmo medicamento,
mas infelizmente ele não se adaptou e consequentemente seu uso foi suspenso. Na
época, em função disso, quase duas caixas do medicamento estavam sem uso e então
começamos a pensar em como dar um novo destino ao mesmo. Não podíamos deixar a
validade de um medicamento tão importante expirar. Estava ali
diante de mim a possibilidade de mudar a realidade daquele que tocou o meu
coração de uma forma que eu não conseguiria explicar em palavras. "Seo Luiz Gonçalves". Coincidência ou não meu Pai é outro “Gonçalves” nesse mundão de Deus. É mais um brasileiro
de sobrenome Gonçalves. Imediatamente entrei em contado com a jornalista do
Diário Catarinense e para minha alegria me respondeu rápida e prontamente. Laine
demonstrou estar muito feliz, me colocou em contato com o “Seo Luiz” e se
colocou disponível no que eu precisasse. Estava ansiosa contando os minutos para
chegar em casa, contar toda a história para minha família e ligar pra o “Seo
Luiz”.
Digitei
pausadamente o numero do telefone... Coração estava apertado e ansioso esperando
um alô do outro lado da linha. Quase 1.400 km (se não me
engano) separavam uma jovem de 34 e um senhor de 76 anos. E não é que foi o próprio “Seo Luiz” quem
atendeu! Tivemos uma longa conversa. Foi um bate papo pra lá de descontraído...
Contou-me sobre sua linda cidade, família, filhos, netos, como é seu dia a dia
lidando com o Parkinson, das dificuldades, necessidades e limitações que fazem
parte também do dia a dia aqui em casa com meu querido pai... Falamos de política e de como as coisas estão difíceis para todos nós e da dificuldade em
depender de medicamentos do SUS para tratar de uma patologia que infelizmente
não tem cura e que a única alternativa de tratamento é capaz apenas de amenizar
os sintomas. A cura ainda é um sonho para todos que tratam dessa doença.
Conversamos também sobre a violência que tem assustado em cada canto desse país
e principalmente sobre como através de uma notícia, escrita por uma jornalista em
Santa Catarina, eu pude tomar conhecimento do problema de uma pessoinha tão
especial quanto o “Seo Luiz”.
Aquela
conversa que transformou definitivamente as nossas vidas me trouxe muito mais bagagem
que qualquer pesquisa que eu pudesse fazer em um site de busca. Foi uma conversa abençoada... Enriqueceu-me como
ser humano que procura a cada dia se tornar uma pessoa melhor, atenta as
necessidades do outros e capaz de ser generosa e de sensibilizar com a vida
real. Tomei nota do endereço que o “Seo Luiz” me passou e ontem mesmo pude
enviar os medicamentos pelo correio juntamente com uma cartinha mal digitada
com toda pressa do mundo, pois precisava chegar aos Correios antes que
encerrassem o funcionamento. Era muito
amor que estava sendo postado ali e naquele momento pouco me importava os erros
de grafia que certamente existiam. Meu pai se emocionou como poucas vezes eu vi
na vida. Seus olhinhos marejados não conseguiram resistir e as lágrimas rolavam
em seu rosto. Estou
até agora sem entender como fui tocada pelas mãos de uma “força maior”. E dê
aqui o nome que sua crença e convicções acharem mais adequado.
A
sensação de bem estar é única! Espero sinceramente que as pesquisas avancem
para que tragam uma melhor qualidade de vida aos milhares de pacientes de Parkinson.
A
jornalista Laine Valgas foi um anjo, porque graças ao texto que ela publicou
ontem eu pude tomar conhecimento daquele problema em uma cidade que eu sequer conheço
pessoalmente, mas a partir de agora tenho motivos de sobra para conhecer! A internet
é uma ferramenta poderosa e que quando usada para o bem pode fazer milagres
como esse que foi aproximar duas pessoas que estavam tão distantes
geograficamente uma da outra.
Permitam-me
um pequeno desabafo, mas aproveito para fazer um apelo aos nossos governantes
que infelizmente estão tão indiferentes ao mal que assola o país. O país vai
mal. A saúde vai de mal a pior. Uma realidade que o governo insiste em fechar os olhos e dizer que o Brasil vai muito bem, obrigado. Faltar remédio na rede pública é um crime, verdadeiro
desrespeito a todos aqueles que pagam seus impostos e esperam o mínimo de
retorno desse dinheiro que deveria ser investido em saúde, educação e tantos
outros direitos constitucionais que nos são roubados. Mas sobra dinheiro nas “cuecas”,
nas contas dos mensaleiros, nas contas em paraísos fiscais dos envolvidos no
escândalo da Petrobras... A lista infelizmente é grande!
Enquanto
isso o “Seo Luiz” e tantos outros “Gonçalves” passam pelo sofrimento de
depender da entrega de medicamentos da rede pública. Mas nós não vamos desistir fácil. Que venham
mais exemplos de vida como esse e que continuemos com o coração aberto para
mudar o rumo de tantas outras histórias que estão ali bem debaixo do meu e do
seu nariz.
Felicidade é pouco. Minha felicidade não tem preço, tem sobrenome: Gonçalves!
Felicidade é pouco. Minha felicidade não tem preço, tem sobrenome: Gonçalves!
Imagem retirada do Google



